quarta-feira, outubro 26, 2005

Beijos...



Podem ser
ternos, apaixonados,
simples, complicados,
tranquilos, intensos,
ocasionais, intencionais,
repenicados, silenciosos,
na bochecha, nos lábios,
mas são nossos,
e são sempre cheios de amor e sentimento.

Beijos para ti, amor. Muitos. E daqueles só nossos!

Os teus braços

domingo, outubro 23, 2005

Tranquilidade

"Amemo-nos tranquilamente, pensando que podíamos,
Se quiséssemos, trocar beijos e abraços e carícias,
Mas que mais vale estarmos sentados ao pé um do outro
Ouvindo correr o rio e vendo-o."

Ricardo Reis


Podemos trocar carinhos mas às vezes é tão bom simplesmente assistir ao girar do Mundo por entre um abraço perene...

sexta-feira, outubro 21, 2005

Sr António


Quando iniciamos o 6º ano existe uma sensação estranha de que, apesar dos 5 anos de estudo mais ou menos intensivo, não sabemos nada. E depois aparecem-nos doentes como o Sr António (cujo último nome não posso revelar porque senão estaria a quebrar o sigilo a que também estou submetida...), doentes tão queridos, tão colaborantes e simpáticos, e, sobretudo, tão capazes de ultrapassar o que a vida lhes reservou, com uma serenidade e elegância invejáveis, que simplesmente fazem valer cada gota de suor que gastámos para chegar aqui, com uma vontade férrea de salvar o mundo.

O sr António teve um AVC no dia em que fazia 81 anos. Teve convulsões, falava de forma incoerciva, e chegámos a pensar que não teria salvação. Foi, aliás, a 1ª vez que assisti a uma convulsão, e corri em busca de alguém com poder terapêutico para lhe salvar a vida como se da minha se tratasse. Não só se salvou como 2 dias depois (na 2ªfeira) já falava, embora não fosse capaz de mexer o lado direito.

Desde então tem vindo a melhorar a olhos vistos. Já se mexe, fala fluentemente e todas as manhãs, quando lhe vou tirar sangue, diz com um grande sorriso: "Oh Dra, já me picaram 51 vezes! Mas se tem que ser tem que ser...". E quando lhe avalio a força muscular nos 4 membros e face, ri-se muito e diz-me "A Dra tem com cada uma! E que tal? Hoje tenho mais força? Obrigada por este exercício matinal! Já sentia a sua falta!", sempre simpático e muito agradecido por estar no ponto em que está e não pior, por ter podido passar mais 1 aniversário em vez de maldizer a hora em que tudo isto lhe aconteceu...

Obrigado, sr António, por nos ensinar a gratidão e a doçura, por nos lembrar do que nos motivou a vir para esta profissão, e que para o ano tenha uma prenda melhor do que a deste...

quinta-feira, outubro 20, 2005

domingo, outubro 16, 2005

Prisioneira


Nunca vos aconteceu quererem sistematicamente que uma coisa vos corra bem e, por mais voltas que o mundo dê, essa mesma coisa correr sistematicamente mal e exactamente de uma forma que não podem controlar? E mesmo que tentem pô-la em prática não conseguem verdadeiramente gozá-la porque o que sistematicamente corre mal já correu?

Não vos faz sentir prisioneiros da situação? A mim deixa-me simplesmente fora de mim!

Eu sou uma pessoa muito pacífica. Quem me conhece sabe que é preciso este mundo e o outro para me tirar do sério. Mas isto tira-me realmente do sério. Porque, por mais que as variáveis que controlo mudem, o resultado é sempre o mesmo e esta recorrência toca as raias do desespero!

Mas pior do que isto tudo é eu não me conseguir nem querer conformar, porque aumenta a insustentabilidade da situação.

Estou definitivamente a precisar de meditar...

quarta-feira, outubro 12, 2005

Parabéns, Amor!


Parabéns, querido, pelos teus 26 anos!!!
Que eles corram tão radiosos como se adivinham, tão felizes quanto tu queres e tão plenos quanto mereces!!!
Beijos doces!

domingo, outubro 09, 2005

Ode à vida


Às vezes não se sentem assim? Tal qual a sensação que a imagem transmite?

Hoje (como sempre, mas particularmente hoje) sinto-me exactamente como se estivesse a correr num campo com o sol (ou a chuva... :o) ) a bater-me na face e fosse una com os elementos!

Viva a vida,
viva o amor,
viva a chuva,
viva a família,
viva os gatinhos,
viva o dia 17 de Junho de 2006!

E viva os bancos à 2ª feira... ;o)

terça-feira, outubro 04, 2005

1º Dia de Trabalho


Embora ainda me esteja a ambientar, perante todo o suor que marcou os anos precedentes, apenas tenho isto para dizer acerca do dia de ontem, do fundo do coração:

"Não disse que ia ser fácil, disse que ia valer a pena!"

segunda-feira, outubro 03, 2005

Limbo


A praxe é um rito de iniciação. Embora muitos não concordem (e se considerarmos certos abusos que proliferam por essas faculdades fora, provavelmente terão razão), a praxe é mesmo um rito de integração e iniciação. O gelo entre colegas novos é quebrado, porque todos estão na mesma situação. Um sorriso pode ser o suficiente para no dia seguinte nos sentirmos à-vontade para abordar essa pessoa e não nos sentirmos perdidos. E isto é particularmente verdade na Faculdade de Medicina de Lisboa.

No entanto, não é isso que me impele a escrever hoje. É que do outro lado dos praxados está o doutor finalista, que se submeteu às mesmíssimas coisas há escassos 5 anos e agora exerce o direito conquistado de assustar caloiros no corredor da morgue, dizendo-lhes verdades inacreditáveis que apenas com o tempo eles se aperceberão que o eram.

Foi neste ponto que me deu um 'Bac!' no espírito...Sou estagiária, finalista, o período de aulas que tenho desde há 18 anos acabou...aqui, no ponto em que me parece simplesmente inacreditável que tenha passado 5 anos...

Um colega do 2º ano comentou comigo 'Quem me dera estar no 6º!'. Eu sorri, embora a minha alma estivesse perplexa: lembro-me perfeitamente de o sentir, lembro-me de o dizer, e... estou do outro lado...Num ápice, num suspiro, cheguei ao ponto onde sempre ansiei estar. E neste momento não consigo sentir-me senão no limbo, nem me sentindo impostora, nem me sentindo inchada. Apenas num modesto estado de graça e gratidão. Apenas sentindo.

A todos os colegas que agora iniciam esta etapa comigo o desejo sincero de que este ano abra as portas para tudo o que sempre sonhámos alcançar desta profissão!